5 erros comuns na secagem do capim que causam mofo e perdas no feno
Você já perdeu fardos inteiros por causa de mofo no feno? Aquele cheiro azedo que aparece dias depois do enfardamento, os fardos que esquentam no galpão e as manchas escuras que comprometem todo o trabalho.
Essas perdas custam caro e acontecem com mais frequência do que deveriam. A diferença entre um feno de qualidade e um prejuízo está em detalhes técnicos da secagem do capim que muita gente ainda ignora.
A Agroforn atende produtores do Centro-Oeste, Norte e outras regiões do Brasil, vimos os mesmos erros se repetirem em propriedades de todos os tamanhos.
E o pior: a maioria desses problemas poderia ser evitada com ajustes simples no processo. Vamos direto aos cinco erros que mais causam perdas no feno por mofo e deterioração.
1. Enfardar com umidade acima de 20%
O erro mais comum, e mais caro, é enfardar forragem úmida demais. Quando o teor de umidade está acima de 20%, você não está fazendo feno.
Está criando as condições perfeitas para fungos, bactérias e aquecimento interno que podem até causar combustão espontânea.
A forragem verde sai do campo com 75% a 80% de umidade. Durante a secagem, esse percentual precisa cair para a faixa de 15% a 18% antes da enfardadeira entrar. Mas como saber se chegou no ponto?
O teste mais prático ainda é o da mão: pegue um punhado de capim e torça com força. Se quebrar quase totalmente e não voltar à forma original quando você abrir a mão, está no ponto. Se ainda dobrar ou ficar úmido na palma, precisa secar mais.
Alguns produtores investem em medidores portáteis de umidade, uma ferramenta que vale cada centavo quando você pensa no custo de perder 50 ou 100 fardos por aquecimento. Em regiões úmidas ou em épocas de transição, esse equipamento deixou de ser luxo.
Feno com alta umidade continua respirando depois de enfardado. Essa respiração consome carboidratos solúveis (a parte mais digestível) e gera calor.
Quando a temperatura interna passa de 60°C, começa a degradação da proteína. Acima de 70°C, há risco real de combustão.
Já vi galpões inteiros queimarem por causa de fardos úmidos. O produtor enfardou no fim da tarde achando que estava seco, empilhou tudo junto e em três dias tinha focos de incêndio. Não é lenda urbana, é química básica da fermentação descontrolada.
2. Revolver a leira nos horários errados
Revirar o feno é necessário para secar uniformemente, mas fazer isso no horário errado pode piorar a situação ao invés de melhorar. A umidade relativa do ar varia durante o dia: alta de manhã cedo e à noite, baixa no período da tarde.
Muitos produtores saem com o ancinho logo cedo, às 6h ou 7h da manhã, quando ainda tem orvalho na forragem.
Resultado: em vez de secar, você espalha umidade pela leira toda. As folhas que já estavam no ponto voltam a absorver água, e o tempo de secagem aumenta.
O momento ideal para revolver é depois que o sol já evaporou o orvalho da superfície, geralmente entre 10h e 15h, dependendo da região. À tarde, o ar está mais seco e o vento costuma estar mais forte. Essas são as condições que aceleram a desidratação.
À noite, o feno deve estar enleirado, não espalhado. A leira concentrada protege a forragem do orvalho noturno. Espalhar à tarde e deixar aberto durante a noite é jogar 6 a 8 horas de reumedecimento no seu processo.
Outro erro é revirar demais. Cada passada do ancinho duplo ou do ancinho enleirador quebra folhas, e elas são a parte mais nutritiva da forragem.
Em leguminosas como a alfafa, por exemplo, o excesso de manuseio pode causar perdas de 15% a 25% só em folhas que caem no campo.
A regra prática: duas passadas bem-feitas são melhores que cinco mal planejadas. Se precisar de mais secagem, deixe espalhado no horário certo e enleira antes do anoitecer.
3. Ignorar a previsão do tempo
Não existe nada mais frustrante do que perder feno pronto para chuva que você sabia que ia cair. A previsão do tempo precisa ser consultada antes de segar, não depois. E precisa ser levada a sério.
Quando chove em cima de forragem que já estava quase seca, você tem dois problemas.
- Primeiro: a água lixívia (lavar) nutrientes solúveis, açúcares, minerais, vitaminas hidrossolúveis. Essa perda é irreversível.
- Segundo: prolonga o tempo de secagem, aumentando perdas por respiração e risco de fermentação indesejada.
Forragem molhada por chuva pode perder 5% a 10% da matéria seca total só pela lixiviação. Se chover duas ou três vezes durante a secagem, as perdas chegam a 30%. E mesmo que o feno seque depois, o valor nutritivo não volta.
Por isso, o planejamento começa com uma janela climática de no mínimo 3 dias sem chuva. Em condições ideais, sol forte, baixa umidade, vento moderado, dá para fazer feno em 24 a 48 horas. Mas contar com o ideal é arriscar demais.
Aplicativos de meteorologia agora têm previsões horárias bastante confiáveis. Vale acompanhar não só a chance de chuva, mas também a umidade relativa do ar e a velocidade do vento. Dias nublados com 80% de umidade relativa não secam feno, mesmo sem chuva.
Se a previsão mudar no meio do processo e indicar chuva nas próximas 12 horas, tem duas opções: enfardar mesmo que não esteja perfeito (aceitando que pode aquecer um pouco) ou espalhar bem fino e torcer. Deixar em leira grossa esperando chuva passar é pedir para perder tudo.
4. Secar de forma desigual entre folhas e caules
As folhas e os caules do capim não secam na mesma velocidade. As folhas têm mais superfície de contato com o ar e perdem água rápido, chegam a 15% de umidade em poucas horas. Já os caules, especialmente os mais grossos, podem estar com 30% ou 40% de umidade quando as folhas já estão quebradiças.
Enfardar nessa situação é enfardar umidade escondida. O fardo pode parecer seco por fora, mas os caules úmidos no interior vão fermentar. Resultado: mofo, aquecimento e perda nutricional.
Esse é um dos motivos principais para usar segadeira condicionadora em vez de segadeira simples.
O condicionador tem rolos ou dedos que esmagam ou raspam os caules, quebrando a camada cerosa que protege a planta. Isso permite que a água saia mais rápido por toda a extensão do caule, não só pelas pontas cortadas.
Com o condicionamento, o tempo de secagem cai 25% a 30%. Em regiões úmidas ou em épocas chuvosas, essa diferença pode significar a viabilidade ou não da fenação.
Se você está usando segadeira de discos simples e tem problemas recorrentes com mofo, vale avaliar o upgrade para modelo condicionador.
Outra técnica é cortar a forragem um pouco mais alta, entre 8 e 10 cm do solo.
Caules mais curtos secam mais uniformemente e você evita contaminar o feno com terra, que além de reduzir qualidade, pode introduzir bactérias formadoras de esporos (causadoras de botulismo em silagens, mas que também afetam fenos mal conservados).
O enleiramento também influencia. Leiras muito grossas demoram mais para secar no centro. O ideal é uma leira que permita a circulação de ar, não um montão compactado.
A largura e densidade da leira variam conforme a quantidade de forragem, mas o princípio é sempre o mesmo: o ar precisa circular.

5. Armazenar sem inspeção ou em local inadequado
O trabalho não acaba quando o fardo sai da enfardadeira. O armazenamento correto é a última linha de defesa contra perdas e pode salvar até um feno que não ficou perfeito.
Muitos produtores empilham os fardos direto no chão de terra batida, sem lona, sem proteção lateral, deixando tudo exposto à chuva e à umidade do solo. Fardos na base absorvem água por capilaridade e apodrecem em poucas semanas.
O mínimo necessário é uma base que isole os fardos do solo, pode ser de estrado de madeira, piso de concreto ou até pneus velhos. E cobertura contra chuva, lona, telha, qualquer coisa que impeça água direta de molhar os fardos.
Galpão fechado é o ideal, mas nem sempre é viável economicamente. Se for armazenar a céu aberto com lona, empilhe em formato de pirâmide (mais alto no centro) para a água escorrer, e deixe espaço entre as pilhas para circular ar.
Nos primeiros 7 a 10 dias depois de enfardar, inspecione os fardos pelo menos uma vez por dia. Passe a mão no centro da pilha.
Se tiver aquecimento acima de 50°C, você tem fermentação ativa. Fardos nessa situação precisam ser separados e espalhados para resfriar antes que o problema se espalhe para o resto.
Hotspots (pontos quentes) acima de 70°C são emergência. Além do risco de incêndio, a proteína está sendo destruída.
Alguns produtores usam termômetros de haste para medir a temperatura interna dos fardos, mais uma ferramenta simples que evita desastres.
Mofo visível, cheiro azedo ou de fermentação, coloração marrom escura ou preta são sinais de que a umidade estava alta demais.
Esse feno pode até ser usado em animais menos exigentes (gado de corte em manutenção), mas nunca em vacas em lactação ou cavalos, o risco de problemas respiratórios e recusa é grande.
Como a Agroforn pode ajudar na qualidade do seu feno
A fenação bem-feita depende de equipamentos confiáveis e manutenção simples. A Agroforn, com 35 anos de experiência no mercado, desenvolveu uma linha completa de máquinas para feno e pré-secado pensando exatamente nas condições brasileiras.
Nossas segadeiras simples e segadeiras condicionadoras são robustas e mecânicas, mais fáceis de operar e consertar no campo. As peças de reposição são encontradas facilmente no mercado nacional, você não fica parado esperando importação.
A linha AF de enfardadeiras, incluindo os modelos AF60 e AF120, produz fardos cilíndricos uniformes que facilitam o empilhamento e o transporte. São equipamentos de fabricação nacional com tecnologia comprovada em milhares de propriedades do Centro-Oeste, Norte e outras regiões.
Os ancinhos enleiradores AF320/8 e AF220/8 trabalham com precisão para formar leiras uniformes, e o ancinho esparramador ajuda na secagem mais rápida quando necessário.
Para finalizar o processo, temos trituradores de fardos elétricos e a cardan que facilitam o fornecimento do feno no cocho.
E tem mais um diferencial importante: o pós-venda de excelência. Quando você tem um problema com a máquina no meio da safra, precisa de resposta rápida. Nossa equipe técnica atende com agilidade, e as peças estão disponíveis.
Fenação de qualidade não é sorte, é processo. O processo depende de conhecimento, atenção aos detalhes e equipamentos que funcionam quando você precisa.
Evite os cinco erros que comentamos aqui e você verá a diferença nos seus fardos: feno verde, cheiro bom, sem mofo, sem perdas.
Se quiser conversar sobre equipamentos para melhorar sua fenação ou tirar dúvidas técnicas sobre o processo, entre em contato com a Agroforn.
