A importância da forragem para animais

Como identificar a qualidade da sua forragem?

A qualidade da forragem é um dos pilares da eficiência na produção animal. Ela influencia diretamente o desempenho nutricional dos rebanhos, os custos de alimentação e até mesmo a rentabilidade da propriedade. No entanto, muitos produtores ainda têm dúvidas sobre como avaliar se a forragem oferecida aos animais realmente atende às necessidades nutricionais do rebanho.

Neste artigo, vamos explicar os principais critérios para identificar a qualidade da sua forragem, desde os aspectos visuais até as análises laboratoriais, e como essas informações podem ajudar na tomada de decisão dentro da fazenda.

A importância de uma forragem de qualidade

A forragem é a base alimentar da pecuária de corte e leite, representando, em muitos casos, mais de 70% da dieta dos animais. Uma forragem de boa qualidade garante o fornecimento adequado de energia, proteína, minerais e fibras, promovendo o ganho de peso e a produção de leite de forma mais eficiente.

Além disso, a qualidade da forragem tem impacto direto na saúde ruminal, na digestibilidade e até na redução de desperdícios. Quando o alimento volumoso é pobre em nutrientes, os animais consomem mais para tentar compensar a deficiência, o que aumenta o custo de produção sem retorno proporcional em produtividade.

Como avaliar a qualidade da forragem?

Avaliar a qualidade da forragem vai muito além de observar seu aspecto visual. Embora a aparência e o cheiro forneçam boas pistas, é necessário considerar fatores como o estágio de maturação da planta, o teor de matéria seca, a digestibilidade e a composição química.

A seguir, detalhamos os principais métodos para essa avaliação:

Análise visual e sensorial

A primeira etapa na identificação da qualidade da forragem é a avaliação visual e sensorial, feita diretamente no campo ou no cocho. Essa análise, embora simples, é muito útil para uma verificação inicial.

Uma forragem de boa qualidade costuma apresentar cor verde intensa, sinal de alto teor de clorofila e bom valor nutricional. Forragens amareladas, escurecidas ou com cheiro de mofo indicam oxidação, fermentação inadequada ou presença de fungos, fatores que reduzem a palatabilidade e o valor nutricional.

Além da cor e do cheiro, a maciez da planta é outro indicativo importante: folhas mais tenras e menos fibrosas são mais digeríveis e melhor aproveitadas pelos animais.

Estágio de maturação da planta

O momento do corte é um dos principais fatores que determinam a qualidade da forragem. Plantas jovens têm maior teor de proteína e menor teor de fibra, o que resulta em melhor digestibilidade. Com o avanço da maturação, a planta acumula lignina, uma substância que torna as paredes celulares mais rígidas e reduz a capacidade de digestão pelos ruminantes.

Por isso, o ideal é realizar o corte ou o pastejo no ponto ideal de crescimento, que varia conforme a espécie forrageira. Por exemplo, no capim-elefante, recomenda-se o corte quando a planta atinge entre 1,2 e 1,5 metro de altura. Já no capim-braquiária, o ponto ideal costuma ocorrer entre 30 e 40 dias após o último pastejo, dependendo das condições climáticas e do manejo.

Teor de matéria seca (MS)

O teor de matéria seca é um dos indicadores mais importantes na avaliação da forragem. Ele representa a quantidade de material que sobra após a retirada da água da amostra, e está diretamente relacionado ao consumo e à conservação do alimento.

Uma forragem muito úmida pode dificultar o processo de ensilagem e favorecer a fermentação indesejada, enquanto uma forragem muito seca pode reduzir a palatabilidade e a digestão. O ideal é que a matéria seca varie entre 30% e 40% para silagens e 20% a 25% para forragens frescas, dependendo da espécie e do sistema de alimentação.

Análise bromatológica

Para uma avaliação precisa da qualidade da forragem, é indispensável realizar uma análise bromatológica em laboratório. Esse tipo de análise mede os principais nutrientes presentes no alimento, como proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), energia bruta e minerais.

Esses dados permitem formular dietas equilibradas e evitar tanto deficiências quanto excessos nutricionais. Por exemplo, uma forragem com FDN acima de 70% tende a ter digestibilidade baixa, enquanto uma proteína bruta abaixo de 7% pode comprometer a fermentação ruminal.

Os resultados da análise devem ser interpretados com auxílio de um técnico ou zootecnista, que poderá ajustar o manejo alimentar de acordo com as necessidades específicas do rebanho.

Fatores que afetam a qualidade da forragem

Diversos fatores influenciam a qualidade final da forragem, desde o manejo da pastagem até as condições de colheita e armazenamento. Entender essas variáveis é fundamental para garantir um alimento nutritivo e estável ao longo do tempo.

Espécie forrageira

Cada espécie possui características próprias que influenciam sua composição nutricional. Gramíneas tropicais, como o capim-mombaça e o braquiarão, tendem a ter alta produtividade, mas menor teor de proteína em comparação às leguminosas, como a leucena e o estilosantes.

A escolha da espécie deve considerar o clima, o tipo de solo, o sistema de produção e o objetivo do rebanho (engorda, leite, cria, etc.).

Manejo da adubação e irrigação

A fertilidade do solo tem relação direta com a qualidade da forragem. Solos pobres em nutrientes geram plantas com baixo teor de proteína e minerais. A adubação equilibrada, principalmente com nitrogênio, fósforo e potássio, é essencial para estimular o crescimento vigoroso e o acúmulo de nutrientes.

Da mesma forma, a irrigação adequada ajuda a manter a produtividade e a qualidade, especialmente em períodos de estiagem.

Colheita e armazenamento

Uma colheita mal planejada pode comprometer a qualidade da forragem, mesmo que a planta esteja no ponto ideal. O corte deve ser realizado em horários mais frescos do dia, evitando perdas de umidade excessiva.

No caso da silagem, é fundamental garantir uma compactação eficiente e vedação completa do silo, para evitar a entrada de ar e o crescimento de microrganismos indesejados. A fenação, por sua vez, exige secagem rápida e homogênea, preservando os nutrientes e evitando mofo.

Monitoramento contínuo: a chave para o sucesso

Avaliar a qualidade da forragem não deve ser uma ação pontual, mas sim parte de um processo contínuo dentro da fazenda. O monitoramento frequente permite identificar variações sazonais e ajustar rapidamente o manejo para evitar quedas de desempenho animal.

Ferramentas modernas, como analisadores portáteis de NIR (infravermelho próximo), já possibilitam medições rápidas no campo, facilitando o controle da qualidade e a tomada de decisões em tempo real.

Qualidade da forragem
Forragem de qualidade, rebanho saudável!

Forragem de qualidade é sinônimo de produtividade

Uma forragem de qualidade é o alicerce de qualquer sistema de produção animal eficiente. Identificar e manter esse padrão depende de um conjunto de boas práticas, desde a escolha da espécie e o manejo do solo até as análises laboratoriais e o armazenamento correto.

Ao investir na avaliação contínua da forragem, o produtor garante um alimento mais nutritivo, melhora o desempenho do rebanho e reduz desperdícios. Em última análise, compreender e monitorar a qualidade da forragem não é apenas uma questão técnica, mas uma estratégia de gestão que impacta diretamente na sustentabilidade e lucratividade da pecuária.

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