Trator agrícola com lança hidráulica levantando fardo de feno cilíndrico para transporte no campo.

Logística interna na fazenda: como otimizar o transporte dos fardos do campo ao galpão

O fardo está pronto no campo. Agora é só carregar e levar pro galpão, certo? Se fosse simples assim, você não teria fardos molhando na chuva enquanto espera caminhão, funcionários reclamando de dor nas costas todo dia, e horas perdidas com carregamento manual que poderia ser três vezes mais rápido.

A logística interna do transporte de fardos é o gargalo silencioso de muitas fazendas. O feno sai perfeito da enfardadeira, mas perde qualidade (e você perde dinheiro) porque fica exposto no campo por dias até conseguir recolher tudo. Ou então o custo da mão de obra para carregar é tão alto que começa a inviabilizar a operação.

Nos 35 anos da Agroforn fornecendo equipamentos para fenação, vimos propriedades de todos os tamanhos enfrentando os mesmos problemas de logística

E a boa notícia é que na maioria das vezes tem solução com organização e, em alguns casos, investimento em equipamentos específicos que se pagam em uma ou duas safras.

O problema real: tempo entre enfardamento e recolhimento

Quando o fardo cilíndrico sai da enfardadeira, ele está tecnicamente pronto, umidade entre 15% e 18%, compactado, amarrado. Mas não está protegido. Um fardo largado no campo está sujeito a:

  • Chuva que reumedece as camadas externas e pode causar mofo superficial
  • Sol direto que degrada carotenoides (vitamina A) nas camadas expostas
  • Orvalho que penetra no fardo se ele ficar vários dias no campo
  • Risco de animais silvestres danificarem a amarração

O ideal seria recolher no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte. Na prática, muitas fazendas levam 3, 4, 5 dias para terminar o recolhimento de uma área grande. Nesse tempo, os primeiros fardos já começaram a perder qualidade.

Por que isso acontece? Falta de planejamento da capacidade de transporte. Vamos dar um exemplo prático: se você tem uma área que vai gerar 500 fardos de aproximadamente 200 kg cada. São 100 toneladas de feno

Se o seu sistema de carregamento manual com 4 pessoas consegue carregar 20 fardos por hora (o que já é bom ritmo), você vai precisar de 25 horas só de carregamento. Isso sem contar o transporte até o galpão e o descarregamento.

Dividido em jornadas de 6 horas de trabalho efetivo, são mais de 4 dias. E se chover no terceiro dia? Os últimos 200 fardos vão molhar.

Otimizar essa logística significa reduzir o tempo total de recolhimento e diminuir a dependência de mão de obra intensiva. Vamos aos pontos práticos.

Dimensione a operação antes de começar

Muitos problemas de logística começam porque ninguém fez as contas antes. Quantos fardos essa área vai produzir? Quanto tempo vai levar para recolher? Tenho equipamento e pessoas suficientes?

A produtividade média de feno em boas condições varia entre 3 e 6 toneladas de matéria seca por hectare, dependendo da forrageira e do manejo. Isso significa aproximadamente 15 a 30 fardos cilíndricos de 200 kg por hectare.

Se você está trabalhando com 50 hectares, pode ter entre 750 e 1.500 fardos para recolher. Esse volume determina o tipo de logística que você precisa organizar.

Para propriedades pequenas (até 200 fardos), o transporte manual com carreta agrícola pode funcionar, desde que você tenha equipe disponível e condições climáticas favoráveis. Acima disso, vale começar a pensar em mecanização.

Outro cálculo importante: distância média do campo ao galpão. Se são 2 km de ida e volta, com 3 viagens por hora, você consegue transportar quantos fardos por dia? Essas contas simples mostram onde estão os gargalos.

Organize o padrão de distribuição dos fardos no campo

Quando a enfardadeira trabalha, ela vai deixando os fardos espalhados pela área, geralmente em fileiras, seguindo as leiras. O padrão de distribuição influencia diretamente na eficiência do recolhimento.

Se os fardos ficam muito espaçados, você perde tempo andando de um para outro. Se ficam muito próximos ou em posições que dificultam a manobra do trator com carreta, você perde tempo em manobras.

O ideal é que os fardos fiquem alinhados em fileiras retas, com espaçamento suficiente para a carreta passar entre as fileiras. 

Alguns produtores programam o trajeto da enfardadeira pensando nisso, em vez de seguir leiras irregulares, fazem passadas planejadas que deixam os fardos já organizados para o recolhimento.

Outra técnica é usar enfileirador de fardos, um implemento que organiza os fardos em linhas retas depois que a enfardadeira passou. Esses equipamentos ainda não são comuns no Brasil, mas em operações grandes, a economia de tempo compensa o investimento.

Escolha o método de carregamento adequado ao volume

Existem basicamente quatro métodos de carregar fardos cilíndricos:

1. Manual com garfo

É o mais comum em pequenas propriedades. Duas ou três pessoas espetam garfos nos fardos e arremessam para cima da carreta. Funciona, mas é pesado, lento e gera problemas de saúde a longo prazo. 

Cada fardo de 200 kg exige esforço repetitivo que sobrecarrega coluna, ombros e joelhos. Taxa de carregamento: 15 a 25 fardos/hora com 3 pessoas.

2. Lança hidráulica com garfo

O trator tem uma lança frontal ou traseira com garfo que espeta e levanta o fardo. Uma pessoa opera o trator, outra vai posicionando os fardos na carreta. Mais rápido e menos desgastante que o manual. Taxa: 30 a 50 fardos/hora.

3. Recolhedor de fardos automatizada

Equipamento específico que recolhe o fardo do chão e coloca direto na carreta através de esteira. Praticamente elimina esforço manual. Taxa: 60 a 100 fardos/hora, dependendo do modelo e da organização dos fardos no campo.

4. Carregadeira ou empilhadeira com garfo

Comum em operações grandes. A carregadeira recolhe 2 ou 3 fardos de cada vez e empilha direto na carreta ou caminhão. Taxa: 80 a 120 fardos/hora.

A escolha depende do volume total e da frequência da operação. Se você faz 200 fardos por ano, investir em recolhedora automatizada pode não fazer sentido. Mas se faz 2.000 ou 3.000 fardos, a conta muda completamente.

Se um produtor de Goiás faz 1.500 fardos por safra usando método manual com 5 funcionários. Ele gastaria 4 dias completos só no recolhimento, pagando 5 diárias. 

Além disso, se depois ele investir em uma lança hidráulica e reduzir para 2 funcionários em 2 dias. No final, ele terá economizado 10 diárias por safra. O equipamento se paga em menos de dois anos.

Planeje rotas e minimize deslocamentos vazios

Transporte eficiente não é só sobre carregar rápido. É sobre reduzir o tempo total do ciclo: carregar, transportar, descarregar, voltar.

Se o galpão fica a 3 km da área de enfardamento, cada viagem completa leva uns 25 minutos (carregamento 10 min, transporte ida/volta 10 min, descarregamento 5 min). 

Com 4 viagens por hora, você transporta 20 a 30 fardos/hora, dependendo da capacidade da carreta.

Algumas estratégias para otimizar:

  • Use ponto de acumulação intermediário: Em áreas grandes, vale fazer um “pulmão”, recolher os fardos e empilhar temporariamente em pontos estratégicos próximos ao campo. Depois, faz o transporte em volume maior com caminhões maiores do pulmão até o galpão definitivo. Reduz o número de viagens longas.
  • Trabalhe com duas carretas em sistema de revezamento: Enquanto uma carreta vai cheia para o galpão, a outra já está sendo carregada no campo. Quando a primeira volta, a segunda já está pronta para sair. Elimina tempo de trator parado esperando.
  • Organize o descarregamento: Muitas vezes o gargalo não é o carregamento, é o descarregamento. Se o galpão está desorganizado e você perde 15 minutos empilhando cada carga, vai travar toda a operação. Ter um sistema de empilhamento rápido (pode ser uma segunda pessoa só para isso) libera a carreta mais rápido.

Invista em equipamentos que reduzem mão de obra

A dificuldade de encontrar e manter mão de obra rural qualificada está aumentando em todo o Brasil. Operações que dependem de trabalho manual pesado têm cada vez mais dificuldade de formar equipe.

Por isso, mecanizar o transporte de fardos não é mais luxo, é necessidade operacional. E não precisa ser tudo de uma vez. Você pode começar com melhorias incrementais.

O transportador de fardos é um exemplo de equipamento que a Agroforn oferece e que pode fazer diferença significativa. Em vez de carregar fardo por fardo, você posiciona vários de uma vez e transporta em volume maior.

Outra opção interessante são as empilhadeiras agrícolas adaptadas com garfo para fardos. Elas circulam pelo campo, recolhem os fardos e empilham direto na carreta ou no próprio galpão. O investimento é maior, mas a produtividade compensa em operações acima de 1.000 fardos/ano.

Alguns produtores improvisam soluções locais — adaptam lanças hidráulicas, fabricam garfos específicos, constroem rampas de descarregamento. 

Nem sempre são as soluções mais elegantes, mas se funcionam e reduzem custo, estão certas para aquela realidade.

O importante é sempre fazer a conta: quanto custa manter o sistema atual (diárias + tempo + perdas de qualidade por demora) versus quanto custaria melhorar o sistema? Às vezes a resposta surpreende.

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Proteja os fardos durante o transporte

Fardos cilíndricos bem feitos aguentam transporte sem grandes problemas, mas alguns cuidados evitam perdas:

  • Amarração firme: Antes de transportar, verifique se a amarração está bem feita. Fardo que se abre no meio do transporte vira perda total.
  • Evite arrastar fardos: Quando você arrasta o fardo pelo chão, danifica as camadas externas e introduz terra. Use sempre equipamentos que levantem o fardo do solo.
  • Não sobrepese as carretas: Colocar peso demais na carreta pode quebrar o eixo, furar pneus e causar acidentes. Respeite a capacidade nominal.
  • Proteja da chuva se necessário: Se você precisa transportar durante o dia e existe risco de chuva, vale cobrir a carga com lona. Melhor perder 5 minutos cobrindo do que perder fardos por chuva no meio do caminho.

O papel do armazenamento na logística total

A logística interna não termina quando o fardo chega no galpão. A forma como você armazena influencia no aproveitamento do espaço e na facilidade de movimentação posterior.

Fardos cilíndricos podem ser empilhados de diferentes formas:

  • Pilhas horizontais: Fardos deitados, empilhados em camadas. É o mais estável, mas ocupa mais espaço horizontal.
  • Pilhas verticais (em pé): Economiza espaço, mas exige mais cuidado com estabilidade. Só funciona bem com fardos muito uniformes.
  • Pilhas piramidais: Mais larga na base, vai afunilando. Boa estabilidade e permite empilhar mais alto.

Independente do formato, deixe corredores de acesso entre as pilhas. Isso permite retirar fardos sem desmanchar pilhas inteiras e facilita a inspeção para detectar problemas de aquecimento.

Use a lógica PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai). Os fardos mais antigos devem ser usados primeiro para evitar que fiquem armazenados por tempo demais e percam qualidade. 

Parece óbvio, mas muitos galpões têm fardos de 2 anos atrás encostados enquanto usam os novos porque estão mais acessíveis.

Máquinas Agroforn para sua logística de fenação

A Agroforn, empresa familiar de Pardinho-SP com 35 anos de mercado, desenvolveu linha completa de equipamentos pensando em toda a cadeia da fenação, do corte ao armazenamento.

Nossas enfardadeiras AF60 e AF120 produzem fardos cilíndricos uniformes de alta densidade, que facilitam o transporte e o empilhamento. 

São máquinas robustas, mecânicas, fáceis de operar e com peças de reposição disponíveis no mercado nacional.

O transportador de fardos complementa a operação, permitindo movimentar os fardos de forma mais eficiente do campo ao galpão. 

E quando chegar a hora de usar o feno, os trituradores AF10 (versões elétrica e a cardan) processam os fardos rapidamente para fornecimento no cocho.

Toda a linha AF foi pensada para a realidade brasileira: máquinas que funcionam em condições adversas, com manutenção simples e suporte técnico rápido. 

Não adianta ter equipamento sofisticado se você fica 15 dias parado esperando uma peça importada.

Um diferencial importante da Agroforn: o pós-venda. Sabemos que a máquina agrícola trabalha em uma safra concentrada. 

Quando quebra, precisa de solução rápida. Nossa equipe técnica atende com agilidade e conhece os produtos a fundo.

Calcule o custo real da sua logística

Muitos produtores nunca pararam para calcular quanto custa, de fato, o transporte dos fardos. Olham só o custo direto (diárias pagas), mas esquecem dos custos indiretos:

  • Tempo de máquinas paradas (trator, carreta)
  • Combustível
  • Desgaste de equipamentos
  • Perdas de qualidade por demora no recolhimento
  • Risco de acidentes de trabalho
  • Rotatividade de funcionários (trabalho pesado gera desistência)

Quando você soma tudo, pode descobrir que está gastando R$5,00 ou R$7,00 por fardo só em logística interna

E que investir R$30.000 em um equipamento que reduz esse custo para R$2,00/fardo se paga em 2.000 fardos, uma safra ou duas, dependendo do tamanho da operação.

Não estou dizendo que todo mundo precisa mecanizar completamente. Cada propriedade tem sua realidade. Mas fazer as contas ajuda a tomar decisões conscientes sobre onde investir.

Fenação é sistema, não só equipamento

Logística interna eficiente na fenação depende de três pilares: planejamento, organização e equipamentos adequados. 

Você pode ter as melhores máquinas do mundo, mas se não planejar a operação considerando capacidade de recolhimento, vai ter fardos perdendo qualidade no campo.

Por outro lado, organização sem equipamento adequado significa esforço excessivo, custo alto de mão de obra e risco de não conseguir recolher a tempo.

O caminho é encontrar o equilíbrio certo para o seu volume de produção e investir de forma inteligente, começando pelos gargalos que mais impactam sua operação.

Se você quer conversar sobre como melhorar a logística da sua fenação, conhecer nossos equipamentos ou tirar dúvidas técnicas, entre em contato com a Agroforn

Temos experiência real em atender desde pequenos produtores até grandes, e conhecemos os desafios de cada região do Brasil. Acesse nosso site: www.agroforn.com.br
Conheça nossos equipamentos: agroforn.com.br/produtos
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